Em
seguida, juntam-se os pares. Quem vai sem acompanhante tem que
contar com
a sorte. "Precisamos de dois homens, pois temos duas mulheres
a formar par", anuncia Graciana. "Hoje vim à aula
para aprender a conduzir a dança como um homem", responde
uma delas, para surpresa de todos.
Realmente
ela tinha razão. O homem comanda toda a dança e à mulher
resta obedecer-lhe e segui-lo. O problema é segui-lo em "marcha
atrás", pois o homem caminha sempre para a frente...
Um pouco machista, mas o resultado é interessante.
O casal
de bailarinos passa as instruções em espanhol mas
os alunos são portugueses, franceses, belgas, alemães,
ingleses e brasileiros. De qualquer maneira, todos acertam o passo
pois o idioma predominante é o tango.
Já com
os pares formados, começa a fase de risos, pisões
e encontrões. Não se pode exigir muito, afinal é um workshop para
principiantes. "O homem tem que indicar à mulher o
que pretende fazer usando o corpo e ela tem que perceber isso",
explica Juan, com paciência e muita didáctica.
Segundo
a dupla de professores, esse é um ponto muito importante
para dançar bem o tango: sintonia. O homem e a mulher precisam
de estar em perfeita sintonia para que possam comunicar sem palavras.
Cerca
de 30 aprendizes, de diversas idades e vindos de locais diferentes,
esforçavam-se para seguir as indicações dadas.
Uma brasileira com pouca experiência teve uma unha do pé partida
por um parceiro apressado. "Faz parte da aprendizagem",
conforma-se.
No fim é feita
uma previsão do que acontecerá no dia seguinte no
Coliseu dos Recreios. Juan e Graciana dançam pelo salão
sob o olhar atento de todos. Os alunos agradecem com muitos aplausos. |