Iniciam-se
os preparativos para o espectáculo. Primeiro o spray aquoso
para conseguir penteados perfeitos: uns presos à nuca, outros
mais soltos e naturais. Uma base para o rosto e uma pintura acentuada
nos olhos e nos lábios são fundamentais.
Repentinamente,
um dos irmãos Macaña pede licença para entrar.
Vem perguntar às suas colegas se desejam um café ou
petiscar qualquer coisa. Lança algumas piadas e o ambiente
fica mais animado com a energia positiva do bailarino. Outro tanguero entra também no camarim feminino em busca de um pente. A
camaradagem entre estes dançarinos argentinos é absolutamente óbvia.
Os trajes
característicos do tango ainda se encontram dentro de pequenas
malas de viagem. Vestidos coloridos, saias, calças transparentes
e tops sensuais estão prontos para se "colarem" aos
corpos esbeltos das bailarinas.
Sente-se
no ar o espírito do tango. Graciana Romeo junta-se às
restantes, quando falta cerca de uma hora para o início
do espectáculo. Colocam pestanas postiças enormes
e as cores começam a aparecer nos seus rostos: branco, preto,
roxo, azul e, claro, vermelho.
Do outro
lado do corredor, os irmãos Macaña agitam o camarim
masculino, enquanto os músicos da orquestra Sans Souci vão
chegando aos poucos. Juan Capriotti senta-se numa cadeira que ocupa
o espaço entre os dois camarins e pede a Graciana que o
maquilhe. Os tangueros estão prontos para entrar em acção.
Esperando
os seus pares, os dançarinos andam ansiosos de um lado para
o outro, trocando impressões com os músicos que afinam
os instrumentos, envolvendo-nos no ritmo quente de Buenos Aires.
O pequeno corredor, antes ocupado apenas por uma mesa com fruta,
petiscos e bebidas, está agora totalmente congestionado.
Sebastien Arcè dá algumas dicas a Mariana Montès
sobre o seu vestido e Pablo Villaraza faz mais uma "visita" ao
camarim das tangueras.
A produção
está quase completa. Devidamente maquilhadas e vestidas
com o traje para o primeiro tango, as bailarinas fazem alguns alongamentos
e dão uns passinhos de dança em frente ao espelho.
O nervosismo começa a transparecer nos seus rostos. Só Roberto
Herrera permanece calmo e sereno perante o frenesim vivido nos
bastidores do festival.
"Faltam
cinco minutos", grita alguém da organização.
Os pés descalços ganham rapidamente a forma de sandálias
de salto alto e correm para o elevador. De óculos escuros,
os irmãos Macaña ainda conseguem proporcionar mais
um momento humorístico, mas o espectáculo está quase
a começar… Já se ouvem os primeiros acordes
da orquestra argentina. Puro Tango no Coliseu de Lisboa. |