Um
cartaz repleto de estrelas
A Grande
Orquestra de Buenos Aires, Sans Souci, com quatro acordeões,
quatro violinos, um contrabaixo e um piano,abre o espectáculo.
O ritmo quente e sincopado do tango enche a sala e os corações
do público.
Os bailarinos
entram, então, em cena. Acompanhados pela voz de Walter "El
Chino" Laborde, os pares mostram o que valem. O espectador
não sabe para onde olhar. Roberto Herrera e Jorgelina Guzzi,
Sebastian Arce e Mariana Montes, Pablo Villarraza e Dana Frigoli,
Los Hermanos Macana e Juan Capriotti e Graciana Romeo “rivalizam” em
talento e a sua coreografia constitui um momento de rara beleza.
O público
aplaude e é a vez de cada par ter o palco só para
si. A sensualidade e mestria dos homens e mulheres que pisam o
palco são compensadas pelas ovações do público. “Bravo!” é a
expressão ouvida no fim de quase todas as actuações.
Buenos
Aires no Coliseu
Todos
os casais encantam mas é a actuação dos irmãos
Macaña que arranca mais aplausos. Caracterizados por um
sentido de humor único e uma vivacidade incrível,
os irmãos relembram os primórdios do tango, quando
este era dançado de homem para homem. O par arranca um forte
aplauso do público.
Também
Juan Capriotti e Graciana Romeo oferecem à plateia uma actuação
original e cativante, dançando tango ao som de um fado de
Camané. Portugal e Argentina estão cada vez mais
próximos esta noite no Coliseu.
Após
o intervalo, o público assiste a um novo momento de inspiração
e originalidade. Uma bailarina vestida de branco e o seu par de
vermelho e preto impregnam ritmos que lembram as danças
tradicionais ciganas. O artista, com o auxílio de duas esferas
presas por cordéis, executa um sapateado fantástico
que recebe uma ovação efusiva.
Por
vezes a solo, por vezes acompanhados, todos os pares mostram aquilo
que melhor sabem fazer, num espectáculo de cor, som e movimento.
Mas
o tempo passa depressa demais quando se assiste a tamanha demonstração
de talento. Os pares sobem todos ao palco, chamados por Augusto
Fragoso, organizador do festival, para dançarem ao som da
música que encerra sempre as milongas
O festival
termina como começou. Com o espectador a tentar não
perder um único movimento dos cinco pares de bailarinos.
Para o ano há mais e a paixão pelo tango promete
trazer de volta artistas e espectadores.
A noite
ainda é uma criança e, na Voz do Operário,
há uma milonga que recria o ambiente dos bares de Buenos
Aires e onde todos, profissionais e amadores, podem mostrar aquilo
que valem e dar asas à sua paixão pela dança
argentina de ritmo quente e sensual. |