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Agenda do FTL 2005
 
Comunicado da organização
 
 
 

As origens do Festival

O Festival de Tango Internacional de Lisboa surgiu sobretudo da vontade de reunir bons artistas e de partilhar esta arte com outras pessoas.

   
 
Augusto Fragoso | Associação LusiTango | Origens do Festival

Como surge o Festival Internacional de Tango em Lisboa?
O Festival surgiu quase de uma forma egoísta, pela necessidade que sentíamos de ter, em Portugal, um conjunto de grandes artistas estrangeiros e usufruir do facto. Surge em paralelo a vontade de partilhar isso com as pessoas. Também tínhamos vontade de dançar e conviver com novas pessoas. Todas as comunidades culturais têm os seus eventos e este é o nosso. Acabou por aparecer de forma natural.

Quais são os desafios de realizar um evento desta envergadura?
O principal desafio é conseguir obter receitas suficientes para cobrir os gastos do Festival. A nossa associação não tem fins lucrativos e uma parte das receitas é doada à associação "Crianças sem Fronteiras". Deste modo, o nosso grande desafio é conseguir trazer a Portugal artistas de renome, sem que o público tenha que pagar um preço exorbitante. Os preços do festival não são populares, mas com o nível de artistas que temos, não podemos baixar mais os preços. Os valores praticados são os mais baixos dos festivais congéneres a nível mundial.
Escolhemos primar pela qualidade e enquadrar este festival no contexto dos grandes eventos europeus. É nosso objectivo continuar nessa senda.

E têm conseguido cumprir esse objectivo?
Sim, conseguimos marcar Lisboa no quadro mundial do tango. Por exemplo, para além das cadeias nacionais de televisão, quem filma o festival é a cadeia SoloTango, a maior cadeia Argentina de tango e o canal mais visto na Argentina. É visto em 99% dos quartos de hotéis.
O Festival Internacional de Lisboa tem sido considerado pela crítica como um dos melhores festivais de tango. Isto deve-se essencialmente a um factor: conseguirmos trazer uma orquestra completa de tango, o que não é costume, porque é mais barato trazer um quinteto. A música mais cativante é composta para ser tocada por uma orquestra completa, de 12 elementos. Ou conseguirmos sempre trazer uma das melhores orquestras da actualidade...

O financiamento é, portanto, feito apenas através das receitas de bilheteira?
Não, temos duas fontes de receitas. Uma é efectivamente os bilhetes comprados pelo público. Mas temos também patrocínios, que não são fáceis de arranjar. Às vezes as pequenas empresas patrocinam mais do que as grandes companhias. Este ano temos como patrocinadores a HP, o El Corte Inglês...
Temos também patrocínios mais pontuais. Alguns deles não são publicitáveis, feitos por pessoas ou empresas numa base de mecenato anónimo.
Os patrocínios não são significativos. Queremos essencialmente que o evento se auto-sustente mas por vezes acontece ter prejuízo.

Que valores é que um evento desta envergadura move?
Falamos sempre em valores acima dos 200 mil euros. As viagens de avião de Buenos Aires para cá são caríssimas. A estadia dos artistas também não é barata. Fazemos questão de os tratar bem e que eles fiquem com vontade de voltar.

E quais são os cabeça de cartaz este ano?
Todos os artistas são cabeça de cartaz. O alinhamento é sempre um problema. No entanto os artistas de tango sendo estrelas, não são snobs e comunicam muito com o público.
Os artistas que vamos ver no palco estarão certamente nas milongas. Aliás, o tango sai da milonga para o palco apenas porque é tão forte que se justifica.
Uma outra particularidade do nosso festival é a improvisação. Daí chamar-se Puro Tango. O alinhamento final é feito cinco minutos antes de o espectáculo começar. Os artistas não precisam de mais nada e cada espectáculo é diferente.

Como tem sido a reacção do público? Acredita que o espectáculo tem contribuído para criar mais fãs de tango em Portugal?
Sim, sem dúvida. Isto acontece por dois factores. Um deles, é a divulgação. Conseguimos mover um "chapéu" de conhecimentos bastante grande. Durante o período do festival, as pessoas ouvem falar mais do tango nos meios de comunicação. Por outro lado, não conheço ninguém que fique indiferente quando vê uma milonga ou um festival de tango. Não há meio-termo. Ou se adora ou se odeia e cerca de 99% das pessoas adoram e querem aprender.

E têm conseguido encher plateias?
Encher uma sala do Coliseu com um festival deste tipo, que não tem meios para fazer uma divulgação de largos meses, não é fácil. Mas o nosso objectivo não é esse. Aliás, a nossa expectativa para um festival cultural que não se enquadra na cultura portuguesa é de 1000 pessoas e temos sempre conseguido exceder esse número.

O número de espectadores tem crescido?
Não, tem-se mantido estável. Temos de ter em conta o tempo de divulgação e há sempre muitas condicionantes. A oferta cultural em Lisboa já é grande e as pessoas fazem as suas opções. O festival costuma ter cerca de 1300 espectadores.

E são essencialmente portugueses que participam ou vêm pessoas de fora do país?
Costumam ser pessoas de fora, sobretudo da Europa. Mas, este ano, também temos pessoas de outros sítios: dos Estados Unidos, do Canadá.... graças à rede de que falava há pouco.
Há muita gente que vem numa óptica de imersão total no festival. Durante o dia vai às aulas, à noite tem as milongas que acabam às cinco da manhã. No dia seguinte ao meio dia já estão de volta às workshops.

Quais são as suas expectativas em relação ao festival deste ano?
As mesmas de sempre. Os nossos objectivos são muito simples:que o festival seja bom, que as pessoas gostem dele e, essencialmente, que o número de espectadores dê para cobrir as despesas do festival. Se essa meta for atingida, continuamos a organizar o evento.
Como não temos fins lucrativos, não estamos agarrados à necessidade de crescer ou de ter lucro.É claro que gostamos sempre de crescer e evoluir, mas também depende sempre da capacidade de divulgação que possuímos e do tempo livre que possamos dedicar a esta causa, na medida em que profissionalmente desenvolvemos a nossa actividade em outras áreas que não o tango ou a dança.
Todo o festival é organizado essencialmente por 4 ou 5 pessoas, que têm as suas profissões. Nesta fase, na semana do festival, tiramos umas férias para ajudar na divulgação, mas no quotidiano temos as nossas obrigações como toda a gente. Por isso, não temos mais pretensões do que ter um festival com boa qualidade que as pessoas apreciem.

Ana Pinto Martinho / Joana Ferreira Barros

 
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