Nos
lugares de diversão que havia em Buenos Aires, participavam
todas as classes sociais, desde o gaucho, o compadrito,
o niño bien, até aos trabalhadores,
desde os malandros até às obreritas em
busca de distracção.
O tango
está presente em todos os acontecimentos sociais, históricos
e culturais. A relação entre homem e mulher (o símbolo
do abraço), a improvisação e a liberdade são
elementos constantes nesta dança. Formam no seu conjunto
uma base sólida.
O encontro
entre homem e mulher são um ritual fundamental do tango,
mas nem sempre foi assim. Somente em situações de
extrema necessidade, os pares são do mesmo sexo.
Para
Carlos Matias, professor de tango, "é mais comum dançar
com pessoas do sexo oposto". Existe em Buenos Aires a "Marshall
milonga" cujo figura típica são dois homens
abraçados. O início do tango era preconizado por
dois homens, mas não abraçados. Hoje em dia, o abraço é apertado.
"E está bem. Na Europa fora há homens a dançar
com homens e mulheres a dançar com mulheres."
Antigamente
nos pares de tango, o elemento sexo era determinante. Hoje em dia
sobressai a seguinte ideia: o que conduz e o que segue. A diferenciação
de sexo acabou fruto da intervenção feminina. A mulher
sugere, é criativa, "aproveita os meus impulsos para
levar-me onde quer, tal como na vida". |