Carlos
Gardel foi, sem dúvida, o maior cantor de tango de todos
os tempos. É um caso raro de imortalidade. Até hoje,
as suas 930 gravações são ouvidas como nos
tempos em que as produziu. Uma época que vai desde 1917
a 1935, com uma voz que ainda ecoa nas rádios e salões
de dança por toda a parte.
Astor
Piazzolla é o senhor que se segue. A sua música é uma
das maiores expressões artísticas que a Argentina
já deu ao mundo. Ao incorporar ao tango um pouco de jazz
e de música clássica, o artista sofisticou o ritmo
portenho, revolucionando conceitos. Com
Adiós Nonino, Decarísimo e Muerte de un Ángel
começou a trilhar um caminho de sucesso que teria picos
em concertos no Philarmonic Hall de Nova York e na transformação
musical de poemas de Jorge Luís Borges. Nos seus últimos
anos de vida, apresentou-se como solista ou acompanhado do seu
quinteto. Deixou-nos uma obra que abrange cerca de 50 discos, falecendo
em 1992.
Actualmente,
o tango pode ser abordado de uma maneira totalmente inovadora.
A dança sensual passou a ser electrizante, bem característica
dos tempos modernos. Considera-se a música electrónica
como uma linguagem mundial, num formidável intercâmbio
de informação tecnológico.
Dimensões
musicais e sociais evidenciam-se num conjunto de artifícios
técnicos que pretendem transcrever um mundo cheio de vibrações.
Misturam-se géneros musicais: electrónica, o hiphop,
ritmos brasileiros e africanos e, claro, o tango argentino.
Nesta
fusão de estilos, encontramos artistas como os Gotan Project,
Luciano Supervielle (ligado ao projecto Bajo Fondo Tangoclub) e
Carlos Libedinsky. A paixão destes músicos pelo som
tanguero permitiu-nos ver a mítica música argentina
de uma perspectiva diferente, nunca esquecendo a sua essência.
São definitivamente novas propostas para um tango reinventado. |