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Um tango de culto

Montevideo apresenta o café "La Giralda", palco do nascimento de "La Cumparsita". O tema que ganhou reconhecimento como o tango mais famoso do mundo.

   
 
 
por Sofia Tejani
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Este espaço de encontro de artistas, situado no Uruguai, ocupa um lugar de destaque na história do tango. Foi nesse local que, em 1917, um jovem estudante de arquitectura apareceu com uma obra-prima para a orquestra de Roberto Firpo.

 

Só se conhecia o primeiro nome do compositor: Gerardo. Humilde e com apenas 17 anos, vendeu os seus direitos de autor por 20 pesos à editora Breyer. Sete anos mais tarde (em 1924), mudou-se para Paris e encontrou Francisco Canaro. Imediatamente, "La Cumparsita" foi descoberta e tornou-se um grande êxito.

A orquestra de Canaro adoptou-a e os letristas Enrique Maroni e Pascual Contursi juntaram-lhe as palavras que faltavam. Nomearam-na de "Si Supieras" e tornaram "La Cumparsita" uma obra completa. Não havia um salão de dança que não passasse este tango fenomenal, fosse em Paris ou em Buenos Aires, espalhando-se, posteriormente, aos quatro cantos do mundo.

Gerardo Matos Rodriguez, era esse o nome do estudante, passou os 20 anos seguintes a lutar pelo tango mais aplaudido do mundo. Primeiro com as editoras Breyer e Ricordi, depois com Maroni e Contursi, cuja letra não foi autorizada pelo compositor. Carlos Gardel, que também gravou "La Cumparsita" em 1942, foi mais um obstáculo para Matos Rodriguez, gerando protestos judiciais.

Por sua vez, Maroni e Contursi entraram em conflitos com Gardel, reclamando as suas letras. No final, Canaro (nessa altura presidente da Sociedade Argentina de Autores e Compositores - SADAIC) foi chamado para resolver o problema. Letristas com 20 por cento dos direitos de autor, outros 20 para a SADAIC, e o restante para Matos Rodriguez com uma indemnização de cinco mil pesos para Carlos Gardel. Foi esse o resultado final.

O autor da música muda de "La Cumparsita" era apenas um pianista amador da época. Foi sempre questionado pelo mérito da melodia, visto que só compôs as primeiras duas partes. Tocada e produzida de várias formas, "La Cumparsita" gerou um culto enorme, resultando desse culto umas centenas de versões.

De entre todas as interpretações, as mais famosas são as de Roberto Firpo e sua orquestra; do clássico Aníbal Troilo e Juan D'Arienzo; do vanguardista Astor Piazzolla; e de Julio De Caro com a orquestra Alonso-Minotto.

"La Cumparsita" é, claramente, sinónimo de tango. Com maior ou menor mérito, Matos Rodriguez deixou uma grande herança para a música argentina, num som harmonioso que é até hoje aclamado efusivamente pelo público.

 
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