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O tango no cinema

O tango tem lugar cativo na sétima arte e figura em filmes de quase todos os géneros, sendo estrela e também o motivo de inspiração.

   
 
 
por Ana Pinto Martinho
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O tango tem tido papéis em filmes quase desde a génese do cinema. Nuns tem o papel principal, noutros, o papel secundário, e noutros é apenas figurante.

 

Se pensarmos um pouco, de certeza que se sucederão nas nossas mentes cenas de filmes onde se dança o tango. A começar por Rodolfo Valentino, nos seus dramáticos filmes, passando por Al Pacino, em "Scent of a Woman", e pelo improvável Arnold Schwarzenegger, em "True Lies". Sem esquecer Raúl Júlia e Angélica Houston que dançam o tango encarnando as personagens Gomez e Mortícia, no primeiro filme da "Adams Family". Ou a belíssima cena do filme "Indochina" na qual Catherine Deneuve dança com a sua filha adoptiva um tango.

O tango aparece quase sempre ligado ao seu imaginário como uma dança sensual, num ambiente com pouca luz, e rodeado de contrastes.

Para além das cenas que pontuam alguns filmes, existem também obras-primas da sétima arte que gravitam à volta do tango e do seu mundo. Na filmografia argentina o tango tem um lugar de destaque. E o chamado "pai" do tango - Carlos Gardel - foi estrela de filmes, tanto argentinos, como norte-americanos.

Gardel e o cinema

Carlos Gardel, considerado por muitos a figura mais marcante do tango, não escapou ao encanto da sétima arte, numa altura em que o cinema tinha deixado de ser mudo. O seu primeiro filme foi "La Loba" (1917), rodado em Buenos Aires. Este argentino, de origem francesa, protagonizou oito filmes para a Paramount americana, destinados ao mercado que falava espanhol. Rodou entre 1931 e 1935 alguns dos filmes que viriam a tornar-se míticos, especialmente depois da sua trágica morte.

"Luces de Buenos Aires" (1931) foi o primeiro, seguiram-se "Melodía del Arrabal", "La cosa es seria", "Esperame" (1932), "Cuesta Abajo" e "El Tango en Brodway" (1934). "El dia que me quieras" e "Tango Bar" (1935), os últimos a serem filmados, transformaram-se, talvez, nos mais emblemáticos. O primeiro destes dois filmes veio ganhar ainda mais importância porque nele o pequeno Astor Piazzola, que tinha então 13 anos, desempenhava um curto papel de ardina. Então, nada fazia suspeitar que iria transformar-se naquele que é hoje considerado por muitos o criador do tango moderno.

Aqueles que se interessam por esta figura mítica do tango podem encontrar toda sua filmografia na Internet, bem como excertos de alguns dos seus filmes.

Quando o tango é a estrela

Em 1997, Sally Potter trazia à luz do dia "The Tango Lesson", um filme profundamente inspirado no tango, "que vive tango, que respira tango”, segundo alguns críticos da época. Este filme mostra como a paixão pelo tango pode surgir em qualquer altura e de qualquer forma. Nele a realidade e a ficção confundem-se, tal como no tango. É a própria realizadora que protagoniza o filme, em conjunto com um bailarino de tango argentino. Ao longo da película podemos assistir à transformação de Sally Potter, que não sabia dançar tango, numa bailarina de nível profissional.

No ano seguinte, o mundo conheceu "Tango", um filme polémico do mestre Carlos Saura no qual a dança é estrela, expressando o amor e o ódio, a vida e a arte, os pecados do passado e a esperança no futuro.

Já em 2003, "Assassination Tango" traz mais um estrangeiro que se apaixona pelo tango, num filme que mostra novos contrastes, sentimentos fortes e maravilhosos passos de dança. Nele podemos ver Robert Duvall aprender a dançar o tango.

De salientar a qualidade da banda sonora de qualquer uma destas películas, que pode ser encontrada nos sites dos respectivos filmes.

 
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