Histórias de Tango

Este é o espaço Lusitango para as histórias...
Histórias de Tango. Verídicas, ficcionais...
um sonho ou um desejo, não importa.
O que importa é que aqui se contem histórias...
as suas histórias...
Contos de Tango.

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) Índice
"O Tango" João Santos Gouveia
(Aluno da "Esquina de Tango")
Setembro
2002
"Brindolandia" (...)
Julho
2002
"Les amants du TAGE..." Mário Silva
Janeiro
2002
"Imersos na noite" Ricardo
Junho
2001
"Tango Louco" (...)
Dezembro
2000
"Saudade..." Pascoal de Sousa
Novembro
2000
"As histórias que nos fazem sorrir..." (...)
Outubro
2000
"Tango na Lua..." (...)
Fevereiro
2000

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)


"Tango na Lua..."

"Já alguma vez dançou sobre os anéis de Saturno?"
Eu esperava por uma cerveja no bar do clube, fazia uma pausa, e não conhecia a voz.
"One hot chocolate, please."
O barman, que se dirigia à torneira da cerveja, voltou atrás.
Também não conhecia a dona da voz. Devia ter entrado há pouco. Mais do que isso, devia ter chegado à Lua há pouco. Uma mulher tão bonita na base não me teria passado despercebida.
"Como é que sabia que falo Português?", perguntei.
Ela sorriu, marcando na face duas covinhas que conseguiram fazer relaxar os meus sobrolhos desconfiados.
"Dançamos?"
"Sim, mas … e as bebidas …?"
De novo as covinhas e eu acompanhei-a até à pista. Os argentinos comemoravam hoje a inauguração da sua representação na Base e o baile deixava-se levar pelo som de um bandoneón, piano e violino.
Dirigimo-nos para um espaço livre e enfrentámo-nos. Não ousando mais do que um abraço afastado, deixei-me levar pelos sons, ora doces, ora enérgicos.
Tango na Lua. Os seus cabelos, negros como o espaço.
Eu experimentava um giro. Pestanas longas, belas.
Um molinete. Pele de mel.
Uma parada, mas o seu perfume puxava-me…
Já não estávamos afastados quando a música parou.
"Isso de Saturno … era a brincar, certo?…"

Para a (…), com quem gostava de experimentar dançar noutro planeta.

Autor: (...)
Data: Fevereiro/2000

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"As histórias que nos fazem sorrir..."

O que uma história faz...

Dei por mim a ir confirmar ao espelho :
Bela ? Porque não? A beleza até é uma questão de espirito.
Cabelos escuros ... quase negros... Resolvi averiguar com precisão as minha características, quiçá era eu, a que estava na base, naquele dia. A ideia de Saturno agradava-me...

A questão colocava-se na parte da "concavidade", das covinhas claro!
Será que nos momentos mais felizes dar-se-ia algum processo de multilpicação...e a covinha que usualmente acompanhava as minhas alegrias passaria a duas?
...mas como a memória visual não foi suficientemente elucidativa , resolvi interrogar o espelho:
" espelho meu , espelho meu :
- diz-me lá se não tenho realmente duas covinhas??"
Porém o meu espelho não foi comprado naquela loja que abastecia os contos que antigamente eram contados na terra, e como não têm por tradição ser mentirosos ( só quando é absolutamente necessário, é que fazem esse jeitinho) limitou-se a confirmar a realidade: era apenas uma pequena concavidade que se reflectia no espelho, não nas duas faces mas apenas numa e do lado direito , vá-se lá saber porquê... talvez a minha mãe, mulher dotada com um dos mais belos sorrisos que tenho presente, não quisesse que eu herdasse esse capricho...

Mesmo que esta confirmação do espelho viesse determinante, e conclusiva : que isso de Saturno, seria inequivocamente para a pele de mel, detentora das "duas covinhas"... continuei a sorrir, mas se antes fora a ironia da imagem que se refletia no espelho, a rir-se para a real. Desta feita era a real a sorrir...

E a pensar dançar, dançar Tango noutro planeta!!

Que bom haver histórias que nos fazem sorrir e sonhar.

Autor: (...)
Data: Outubro/2000

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"Saudades..."

Lembro-me de ti…
naquela noite mágica, naquele espaço fechado
dos teus olhos cor de não sei quê, do teu sorriso rasgado
de ouvirmos Pugliese, de sentir-mo-nos, de dançar-mo-nos
de querer-mos quase tudo, de dizer-mos quase nada
lembro-me de uma quase lágrima, talvez quase envergonhada.

Lembro-me de ti…
a noite tinha o teu nome, a música tinha o teu cheiro!
Trazias nos olhos um brilhosinho de algo que me escapa
e nos teus lábios a cor do meu desejo e ansiedade
no cabelo a brisa…ai que saudade!..
no teu pulsar o som de um tango milongueiro.
A noite tinha o teu nome, a música tinha o teu cheiro!

Lembro-me de mim…
e de comer no teu peito sonhos de amor e de pecado
de sentir-me adolescente, apaixonado
de contar-te segredos que não pude guardar
de mostrar-te desejos que não soube esconder
de falar-te do tal "resto de tango" que não dançamos
e de ficar com tantas palavras por dizer.

...E lembro-me de nós…
entre um "giro", um "gancho"
ou "caminando" a compasso
lembro-me de nós…
no silêncio de um abraço.

Pascoal de Sousa
Data: Novembro/2000

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"Tango louco"

Quero beber-te em tragos de vício
Em copos sem fundo
E no recanto da minha fantasia
Inundar-me de ti !
Quero dançar-te em tons de luar
Na rua, na milonga, em qualquer lugar
Eu quero é dançar e desfrutar, desfrutar…
Até que o coração rebente !

...e no fim da madrugada
No silêncio dos meus segredos
No segredo dos meus pecados
No pecado dos meus sentidos
Vou descansar no teu pulsar
E recomeçar tudo de novo.

Por favor, vem depressa
Preciso do teu abraço!

(...)
Data: Dezembro/2000

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"Imersos na noite"

Imersos na noite,
nascemos dos sons que domámos;
em corpos unidos,
saímos do mundo e bailámos!

Autor: Ricardo
Data: Junho/2001

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"Les amants du TAGE..."

O Fado e o Tango... e porque não o Tejo e o Tango?
Não foi só Camões que se inspirou nas Musas do Tejo; neste caso também o Brel deu um abraço ao Tango e aqui vai o resultado:

Les Amants du Tage

Foram alunando, tangueando,

inalaram musica, aromas...

Magia? Alquimia? Rio.

Autor: Mário Silva
Data: Janeiro/2002

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"Brindolandia"

Brindo à púrpura dos teus lábios, meu desejo
Brindo ao cheiro do teu corpo em meu redor
Ao veludo dos teus dedos, do teu beijo
Brindo à vida, brindo ao sonho e ao amor!

Brindo a tudo o que faz te recordar
Madrid, Lisboa, … aqui… ali…
Brindo à chuva, ao vento, ao rio, ao mar
Brindo à vida, brindo ao sonho e brindo a ti!

Brindo ao tango, nosso cúmplice, nossa paixão
Que um dia nos cruzou e pregou uma partida
Brindo à música e às coisas do coração
Brindo a nós, brindo ao sonho e brindo à vida!

Brindo ao bandoneon que tantas vezes dançamos
Brindo a rosas de cristal, brindo a lágrimas de verdade
Brindo aos momentos que em segredo nos amamos
Brindo a ti, a mim, a nós, brindo ao amor sem idade!

Brindo à rosa da manhã, … que bem me lembro
Brindo ao tango da Azucena,…meu embaraço
Ao jardim do fim de tarde,…era Dezembro
Brindo á milonga da noite e também ao teu abraço!

Autor: ...
Data: Julho/2002

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"O Tango"

O Tango é emoção, é sentimento;
é um gemido triste de amargura;
é um refúgio para quem procura
o sortilégio doce de um lamento.

O Tango é o bálsamo de quem perdeu
um sonho de ideal cheio de nada;
é um suspiro de alma resignada;
lembrança de um passado que morreu.

O Tango é a memória do que ardeu
numa paixão sofrida intensamente;
letargia de cinza ainda quente
de incandescente amor que esmoreceu.

O Tango é a tristeza da lonjura;
desejo de ter perto o que é distante;
é doce recordar de triste amante
para quem o presente é desventura.

O Tango poderá ser definido
por quem sinta na alma a emoção
de uma volúpia de prazer e dor.

Mas o Tango só pode ser sentido
por quem tenha vivido uma paixão
e já tenha sofrido por amor.

Autor: João Santos Gouveia
(Aluno da "Esquina de Tango")
Data: Setembro/2002

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